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Juros a 7% e preços em pausa: o que muda para o brasileiro que quer comprar em Orlando

Setembro trouxe duas notícias que mexem com o bolso de quem planeja comprar um imóvel em Orlando: os juros do financiamento subiram e os preços da região pararam de subir. Para o investidor brasileiro, o momento pede conta feita com calma — e também abre espaço para negociar.

O Fed subiu os juros, e a hipoteca passou de 7%

No dia 16 de setembro, o Federal Reserve (o banco central americano) elevou a taxa básica em 0,25 ponto, para a faixa de 3,75% a 4%. A decisão foi unânime, e o comunicado explicou o motivo em uma frase: "a inflação continua elevada".

O efeito chegou rápido ao crédito imobiliário. Pela pesquisa semanal da Freddie Mac, a taxa média da hipoteca de 30 anos fixos ficou em 7,03% em 24 de setembro. Na semana anterior era 6,95%, e um ano antes, 6,30%. No prazo de 15 anos, a média foi de 6,42%.

Essas médias são do comprador americano. Para quem compra morando no Brasil, as condições do financiamento para estrangeiro costumam ser diferentes — por isso vale simular o seu caso antes de decidir.

Preços em pausa: mais tempo para negociar

Os números de agosto mostram um mercado mais calmo. Na região de Orlando, a associação de corretores ORRA registrou preço mediano de venda de pouco mais de US$ 400 mil, US$ 2.500 abaixo de um ano antes, e as vendas caíram quase 9% de julho para agosto. O presidente da associação, Chris Atwell, resumiu: o mercado está "desacelerando só um pouco, nada para entrar em pânico".

Os anúncios confirmam o ritmo. Na região metropolitana, o preço mediano pedido em agosto foi de US$ 415 mil, 1,87% abaixo de um ano antes, com 75 dias medianos no mercado e 5.224 imóveis com redução de preço, segundo o Realtor.com.

Nas regiões preferidas para casas de férias, o quadro varia. Pelos dados do Redfin atualizados em 1º de setembro:

  • Kissimmee: preço mediano de venda de US$ 350 mil (+0,8% em 12 meses) e 109 dias medianos à venda.

  • Davenport: US$ 347 mil (+9,3%) e 99 dias.

  • Clermont: US$ 459 mil (+6,9%) e 64 dias.

Imóvel mais tempo anunciado e mais cortes de preço costumam dar ao comprador espaço para negociar valor e condições.

Kissimmee, na região dos parques de Orlando

Turismo forte, com sinais mistos

A procura por aluguel de temporada depende dos visitantes, e aqui os sinais apontam para lados diferentes. Em julho, o condado de Orange arrecadou um recorde de US$ 31,47 milhões em imposto sobre hospedagem, 6,4% acima de julho do ano passado, e o Visit Orlando informou alta de 3% na procura por aluguel de temporada.

Por outro lado, o aeroporto de Orlando recebeu 4.375.567 passageiros em agosto, 6,89% menos que um ano antes. E a Comcast, dona da Universal, disse em setembro que continua vendo "fraqueza" nesse mercado, citando gasolina, passagens aéreas e a comparação com o ano de inauguração do Epic Universe — embora tenha se declarado "muito otimista" com os parques no longo prazo.

No turismo de eventos, o Walt Disney World Swan & Dolphin inaugurou uma expansão de US$ 275 milhões e passou a ser o maior hotel de convenções da Costa Leste dos Estados Unidos.

Custos de manter o imóvel: seguro em queda e imposto em votação

Uma boa notícia para quem tem ou vai ter imóvel na Flórida: o órgão que regula o setor aprovou mais quatro reduções nas tarifas de seguro residencial, de 3,2% a 10,4%.

Em novembro, os eleitores da Flórida votam a Emenda 3, que mexe no imposto sobre a propriedade. Se for aprovada — precisa de 60% dos votos —, o teto de aumento anual da avaliação de casas de férias e de investimento cai de 10% para 5%. Por enquanto, é só uma proposta: vale apenas se passar nas urnas.

Os brasileiros continuam de olho em Orlando

O levantamento mais recente da Florida Realtors sobre compradores estrangeiros, publicado em novembro de 2025, coloca o Brasil em 3º lugar entre os estrangeiros que compram na Flórida, com 7% das compras e US$ 762 milhões. Desses brasileiros, 29% escolheram a região de Orlando, e 68% não moram nos Estados Unidos. O preço mediano pago por eles foi de US$ 444.623.

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Fontes

Francis Rossi

Francis Rossi

Sou Francis Rossi, corretor e advogado brasileiro atuando no mercado imobiliário de Orlando e Poços de Caldas. Ao unir experiência jurídica e visão de investimento, ajudo brasileiros a construírem patrimônio em dólar de forma inteligente e estratégica.

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